AGÔ!

Agô! é fruto de uma documentação a que me dediquei durante três anos em terreiros de candomblé e umbanda de Diadema. Neste período, cerca de quatro mil imagens foram produzidas.
O trabalho em Diadema faz parte de um projeto mais amplo, que venho realizando há cerca de 10 anos, no qual as manifestações de fé do homem em sua busca pelo contato com o sagrado são reveladas em cores fortes, sombras profundas e um clima

eminentemente silencioso. O contato com os grupos de candomblé no ABC deu-se a partir de uma necessidade de entender não apenas o sentido da transcendência, mas também o de imanência, tão presente na relação do povo de santo com seus orixás.
Agô, na língua iorubá, quer dizer “licença”. É exatamente o que fui entoando pelos terreiros que visitei pela cidade de Diadema. Humildemente pedindo licença para entender, vivenciar e aprender um pouco de uma cultura milenar que, por mais incrível que possa parecer, ainda tem boa parte de seus agentes exercendo suas práticas sob um severo e preconceituoso olhar da sociedade. A documentação de Agô! foi produzida em terreiros das nações Queto, Angola e Jeje-Nagô. O preparo da festa, a simbologia, os personagens – equedes, ogãs, iaôs, babalorixás, etc. – e suas relações no espaço mítico do terreiro são alguns dos aspectos explorados neste trabalho.
Em fevereiro de 2011, foi inaugurada uma exposição no Museu de Arte Popular de Diadema, importante espaço dedicado às manifestações culturais populares da região, ocasião em que se lançou também um catálogo de 32 páginas, com distribuição gratuita.
O projeto de exposição e catálogo foi realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura, através do Programa de Ação Cultural 2010, onde foi contemplado no edital de Apoio a Projetos de Artes Visuais.